Você entende de gente?

O que leva uma pessoa a comprar uma Harley Davison?

Costumo afirmar que quem trabalha com propaganda não precisa entender de anúncios, layouts, mídias. Precisa entender de gente.

O que um baixinho quer ao comprar um carro alto? O que fez tantas mulheres comprarem o Ecosport? Por que uma cerveja com a cara de Mussum faz sucesso? E por que outra cerveja com o rosto de Compadre Washington no rótulo, também vende bem e sai nos principais jornais, revistas e sites de notícia do país? Como cada pessoa escolhe a sua marca de roupa preferida?

É preciso entrar na cabeça do consumidor pra saber o que ele quer realmente, porque está comprando aquele produto. Muitas vezes, as mulheres compram uma roupa porque se sentem com um bumbum maior e os homens adotam marcas que os inserem em um determinado status. Por esta razão, que nas camisas proliferam jacarés, homens em cavalos jogando polo e, recentemente, alces.

O que leva uma pessoa a comprar uma Harley Davison? O que ele menos quer, é andar de moto. Pode ser uma busca por liberdade, uma fuga da esposa, uma maneira de ter mais amigos ou mesmo um sentimento de rejuvenescimento.

Por que pedreiros quando estão só com homens consomem a cerveja mais barata que tem no bar e, quando saem com uma namorada bebem Skol?

Estrangeiros que moram há 20 anos no Brasil têm carros melhores no seu país de origem, onde ficam apenas 2 meses por ano e os outros 10 usam carros menos confortáveis. Não é por causa da violência, é histórico, para mostrar aos vizinhos e parentes da terra de origem, que foi morar em outro país, fez sucesso, venceu e, por isso, tem vida boa nas férias no país de origem.

A cabeça do consumidor é o foco do bom profissional de comunicação. Criação, atendimento, mídia e produção têm que, constantemente, se colocar no lugar do cliente do anunciante. Como pensa este potencial cliente? O que ele assiste? Por onde ele anda? Com que ele anda? O que gosta de fazer? Quais coisas valoriza? Qual o lazer dele? O que não gosta? Por que compraria o produto? Quais os diferenciais que mais valoriza?

Faz campanhas mais assertivas quem se livra dos preconceitos e tenta entrar no dia a dia e na forma de agir e pensar dos potenciais consumidores. É preciso entender o consumidor da motocicleta de sete mil reais e o cliente da moto de setenta mil. Eles vão comprar na mesma revenda, mas têm objetivos completamente diferentes. O cliente da moto mais barata está comprando o seu primeiro veículo pra deixar de andar de ônibus, enquanto que, o outro já tem um carro, que é o veículo principal e a moto será quase que um brinquedo. Os meios de comunicação são diferentes, os argumentos de venda são outros e isso tem que estar claro na cabeça de quem vai criar, comprar a mídia, produzir as peças e atender ao cliente.

Este é o desafio diário dos profissionais de comunicação. O bom profissional tem que buscar conhecer as pessoas, os grupos de referência, as tribos.

Precisamos conhecer, sem preconceitos, os católicos, os evangélicos, os homossexuais, os novos jovens, a criançada, a nova terceira idade. O que pensa o homem da capital e o que pensa uma mulher do interior. Os hábitos do grande produtor rural de Barreiras e do pequeno criador de bode de Remanso.

 

Quem são e o que pensam estas pessoas tão diferentes?

Se a gente entender, vai fazer campanhas mais assertivas e vendedoras.

Americo Neto

Publicitário com 20 anos de mercado. É Sócio e Diretor Planejamento e Atendimento da Viamídia Publicidade. Professor, palestrante e consultor. Vice-presidente da ABAP e Diretor do Sinapro, as duas mais importantes associações do mercado de comunicação da Bahia. Foi finalista por 3 anos do Prêmio ABMP como Dirigente de Agência do Ano. Atua na gestão de importantes contas privadas, destacando-se no acompanhamento de contas do varejo e do segmento de serviços, além de atender Prefeituras e ter coordenado mais de 30 campanhas políticas. É um dos responsáveis pelos resultados dos clientes e pela filosofia da Viamídia: “Criar Resultados”.

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