(In)visibilidade lésbica no Brasil

Ser lésbica é remar contra maré que te julga, te violenta e te massacra, pelo simples fato de viver a sua liberdade como todas as outras pessoas fazem diariamente. A mulher lésbica vive cercada de proibições que se expressam de todas as formas;

No dia 29 de agosto, foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica no Brasil. A data faz uma referência ao SENALE (I Seminário Nacional de Lésbicas), que ocorreu no Rio de Janeiro em 1999. Foi a primeira vez que mulheres lésbicas de todos os lugares do país se reuniram oficialmente em uma organização.
A partir daí, movimentos lésbicos de diversos lugares do país, todos os anos, no mês de agosto, organizam encontros para ampliar e fortalecer o espaço de discussões sobre a diversidade sexual feminina, com o objetivo de garantir o respeito e reconhecimento às ações das mulheres lésbicas e bissexuais na sociedade.
O Brasil ocupa o sétimo lugar em assassinato de mulheres e é responsável por 44% da morte de homossexuais. Não dá para olhar para esses dados e se conformar!
 Enquanto não existir Leis Federais que realmente atendam aos anseios da população LGBT, as mulheres lésbicas e bissexuais devem reagir, debater e discutir, pois são cidadãs brasileiras e merecem respeito. Aceite-as quem quiser, mas respeito é bom e todo mundo gosta. Não é mesmo?
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É verdade que no contexto atual tiveram conquistas importantes com relação ao reconhecimento dos seus direitos, além de uma crescente mobilização a favor. Mas, simultaneamente e contraditoriamente, reportagens sobre crimes lesbofóbicos aumentam na mídia e quase sempre vêm acompanhados de impunidade.
Então façamos uma reflexão: O que é ser lésbica nos dias atuais?
Ser lésbica assumida, nos dias de hoje, é inquestionavelmente um ato político. É ser rebelde, questionar e desconstruir os padrões heteronormativos impostos pela parcela conservadora da sociedade; é se recusar a reduzir sua sexualidade a fantasias e fetiches masculinos por que definitivamente não é objeto, sua sexualidade é válida e deve vivê-la com autonomia.
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Ser lésbica é, ainda, sofrer em silêncio. É apresentar a namorada à família como uma mera amiga, ou um namorado fictício para sustentar o “equilíbrio” ou até mesmo o amor familiar. É sofrer perseguição, ser alvo de piadas na escola ou faculdade, no trabalho, nas ruas, na vida. É viver cercado de profissionais de todas as áreas, desde a saúde à segurança, despreparados para atendê-la.
Ser lésbica é remar contra maré que te julga, te violenta e te massacra, pelo simples fato de viver a sua liberdade como todas as outras pessoas fazem diariamente. A mulher lésbica vive cercada de proibições que se expressam de todas as formas; desde uma violência verbal á uma agressão física.
Diante disso, as mulheres tem afirmado politicamente sua orientação sexual, com objetivo de acabar com a invisibilidade da sua afetividade, resistindo à condição de vítima desse sistema e sendo revolucionárias permanentes, protagonistas da sua própria historia.
Desta forma, gradativamente, as lésbicas têm se instruído e unindo de forma coerente e coletiva para construir alternativas na luta pela transformação social e reiterar que ser lésbica diz respeito apenas a ela mesma.
Por isso, toda lésbica deve levantar  BEM ALTO essa bandeira!
Por Larissa Moraes

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